Campos de Batalha

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009


AVENTURA-SOLO - Parte 8

Fiz uma pequena contribuição à aventura-solo conduzida pelo Rey Jr. no site www.ooze.com.br (visitem e saibam mais!). Acontece que por questão de lisura eu fiz três das opções possíveis e como uma delas foi ao ar, outras duas ficaram no estaleiro. Então, para movimentar este blogue moribundo e dar aos que estão jogando uma oportunidade de ver um "o que aconteceria se" em primeira mão, reproduzo logo abaixo uma das referências possíveis, mas derrotada pelo voto. A publicação dessa referência tem permissão do Rey, que é o dono da bola, afinal. Lembro, ainda, que o trecho abaixo NÃO foi editado nem aprovado pelo Rey, então não é "canon" e o que quer que ali esteja escrito é apenas uma versão minha para a história.

Por fim, o resumo da história foi feito pelo próprio Rey e a uso com o consentimento do mesmo, porque este blogueiro não é ladrão. Só um mp3 aqui, um filme ali...

Divirtam-se!

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Resumo da história até o presente ponto:

Você era um Bardo Bon Vivant que gozava de privilégios e salvo conduto onde quer que fosse. Não pela sua pessoa em si, mas pela sua condição bárdica que destrancava os cadeados das cidades, das tavernas e, em segredo, dos cintos de castidade de belas moças.
Certo dia você se deparou com uma cesta em frente sua porta e dentro dela uma criança. O bilhete dizia que o filho era seu, e que havia um marido bastante zangado á sua procura. Maridos zangados eram fatos corriqueiros, mas este era o Conde da cidade onde você havia decidido passar alguns meses.
Fungindo para fora da cidade, você decide criar a criança e passar a ela seu legado. O tempo passa rapidamente, ele cresce e você envelhece. Os dois tornam-se amigos além de tudo e Thomas, seu filho, aprende muito rápido. Certa noite após mais um porre homérico, você se recolheu para dormir enquanto seu garoto se esgueirava para o quarto de mais uma garçonete. E nunca mais acordou.
Você acorda em meio a madrugada. Você é Thomas, versado em poesias musicadas, harpa, sabre e um pouco de magia. A garçonete ao seu lado é Marie - bem, elas nunca tem um nome então você as chama todas de Marie - e dorme um sono exausto depois de trabalho intenso. Ao dirigir-se para seus aposentos, para manter a tradição familiar de dormir acompanhado e acordar sozinho, você nota um vulto sainda do quarto onde você e seu pai estavam hospedados. Este vulto guarda uma adaga e você o segue. Utiliza um truque mágico para se tornar invisível e escuta o vulto dizer que só faltava eliminar você.
Ao voltar a seu quarto você se depara com o corpo de seu pai, morto porém intacto a não ser por uma letra “C” cortada na face. Em poucos minutos os guardas aparecem, satisfazendo o clamor popular. Você se livra da situação, explicando que é filho da vítima e prestando um longo depoimento.
No templo fúnebre, lugar para onde seu pai foi levado, o clérigo oferece um ritual que lhe permite trocar duas palavras com seu velho. Você aceita e a alma do velho bardo diz “Conde Coldbrig”.
Saindo do templo, preocupado com toda a situação e avaliando o colar que o clérigo lhe forneceu você nota tarde demais que está cercado por três indivíduos - dentre os quais você reconhece um como sendo o assassino do bardo. A luta é feroz, mas você derrota seus oponentes. E o que faz com o assassino é exatamente o que você fica sabendo agora.

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Esta é a opção de questionar ao assassino: “Por quê? Por que assassinaste meu pai cria demoníaca?”

“Por quê? Por que assassinaste meu pai cria demoníaca?”, você questiona, arrastando a ponta da espada no chão enquanto se aproxima do corpo prostrado do assassino de seu pai e que tentou matá-lo também e talvez tenha conseguido, pois o sangramento em seu abdome prossegue e sua mão, apertada ali, faz pouco em deter o fluxo de sua vida que se esvai. E você nem quer pensar no veneno, que enegrece as veias de sua perna e faz com que tenha de arrastá-la, estando ela praticamente insensível e grosseiramente inchada. Você realmente nem espera mais sobreviver, mas quer se vingar antes de morrer e, para isso, precisa saber qual foi o motivo de um ataque tão vil e traiçoeiro contra o seu pai, que plantara sim inimigos em sua vida, porém nenhum que o mataria em seu sono. Ou assim você acreditava.

O assassino estica o punhal que ainda pinga com seu sangue em frente de si, tentando se proteger cegamente, e se arrasta para trás, enlameando seu manto de panos caros e corte fino, que denota a riqueza dele ou a de quem o emprega, muito provavelmente esse tal de Conde Coldbrig.

“Fale, desgraçado!”, você comanda, com a voz firme. Então levanta sua espada de súbito, provocando o sibilo do gume rente ao rosto do assassino, que se encolhe e nota a futilidade de seus esforços com o punhal, decidindo que mais vale limpar a sujeira de seus olhos. Ele pára de se afastar quando bate na parede do outro lado da viela. “Por que matou o meu pai?” Com dificuldade você levanta a lâmina e a pressiona contra o peito do assassino que, repentinamente, gargalha com gosto. Você franze o cenho, confuso.

“Mas eu não matei seu pai!”, ri ele.

A sua confusão se mescla com um sentimento de afronta e seu pé, por instinto, sobe por vontade própria e acerta o assassino no meio da cara, quebrando-lhe o nariz. Foi uma má idéia, não apenas porque, calado pela dor, o assassino parou de falar enquanto geme e cospe sangue, mas principalmente pela razão de que sua perna inchada é incapaz de mantê-lo de pé sem auxílio e você cai, abrindo o ferimento da barriga que se acalmara até então e, por isso, você rilha os dentes em agonia.

“Mentiroso”, você exala por entre os dentes, lutando para se erguer com a ajuda da espada. Sua visão está borrada pela perda de sangue e você sente que o formigamento da perna paralisada, a única sensação que dali vinha, subiu para sua virilha e peito e pensa, com horror, que seu peito parar como a perna, você sufocará rapidamente. O tempo urge.

Após arrancar um dente da frente amolecido por seu chute, o assassino cospe outra vez e reafirma: “Eu juro! É até por isso que você vai morrer, seu bastardo estúpido.”

“Não se eu te matar antes!”, você brada e numa onda de raiva, levanta-se e gira a espada por sobre a cabeça, para descê-la com fúria justa e vingar seu pai. O assassino já limpou os olhos e isso lhe alegra, pois ele verá a morte vindo, uma honra que seu pai não teve, mas que convém a alguém como você, um vingador, não um assassino. Todavia, seu golpe de desforra é interrompido quando uma dor inesperada explode em suas costas, mandando-lhe de encontro à parede e depois ao chão.

“Que demora cretina, Stegor!”, reclama o assassino, a voz fanhosa por causa do nariz quebrado, que é auxiliado a levantar pelo capanga que fora atordoado por sua harpa e segura nas mãos uma tábua extraída de um dos barris quebrados.

“Desculpe, senhor Ledland, mas um barril caiu em cima de mim! Demorei para me lembrar onde eu estava, senhor”, explica Stegor, humildemente.

“E por sua imbecilidade eu perdi um dente!”, repreende Ledland.

“Ah, senhor, poderá colocar um dente de ouro quando matarmos esse bostinha”, atenta Stegor.

“Verdade, Stegor, verdade.”

Você escutou a conversa com a parte de sua mente que ainda se importa em entender o que ocorre e tentar sobreviver, mas a maior parte está dedica a sentir agonia.

“Quer que eu o mate, senhor?”, oferece Stegor.

“Ele meu deu um chute na cara. Na cara! Pode deixar que eu o mato”, justifica Ledland, que pega o seu próprio sabre do chão e testa seu equilíbrio com um corte no ar. “Vai servir”, avalia.

Você ouve o zumbido e, no ínfimo instante que precede a morte, pede a Ternura, Deusa protetora dos Bardos, que lhe receba em seus salões de festas e que seu pai lhe perdoe por não ter sido capaz de vingá-lo, vendo que você fez o seu melhor.

Então, o grito.

Não o seu grito, porém. De Stegor, atingido no ombro por um virote de besta.

“Seus filhos de cadelas pestilentas!”, insulta Ledland, mas não a você.

Na sua visão, tudo são sombras, no entanto é capaz de distinguir um grupo delas se aproximando com pontos brilhantes, tochas provavelmente, nas mãos e bradando ordens e ameaças: “Larguem as armas e se ajoelhem ou se preparem para morrer!”

Ao fundo uma voz berra: “Cuidado com os barris! São de carvalho nobre! Malditos arruaceiros! Bandidos!”

“Eu sou enviado de Conde C...”, começa Ledland, como se isso o investisse de autoridade para destruir e matar. Mas não consegue terminar e você se pega pensando em como seria útil se ele tivesse terminado.

“Conde?”, corta o comandante da guarda. “Oh, não, não o temido e poderoso Conde!”, ironiza, com a voz sarcástica. “Isto é Carmadonia, cidade do Duque Carmadon IX, e não do Conde. E na cidade do Duque, o Conde se ajoelha!” Com isso o comandante soca o estômago de Ledlan, que perde o ar, mas resiste a cair, ao menos até que leva um soco no rosto, quando cai de joelhos.

Stegor não precisa do mesmo incentivo e se ajoelha quietamente.

O comandante sobreolha o local de sua luta e o vê. “Ele não esteve no corpo-da-guarda ainda esta manhã?”, pergunta ele a um de seus soldados.

“Sim, Comandante Kell”, responde o soldado, mecanicamente. “Morte do pai na estalagem, Comandante.”

“Do pai? Coisa terrível. Bêbado?”

Um dos soldados se destaca do grupo e se aproxima de você, para cheirar a você.

“Não, Comandante. Apenas ferido.”

“Clérigo!”, berra o Comandante. Do meio da formação de seis soldados surge um homem de manto rubro – para você, apenas outra sombra. “Cure-o”, ordena, apontando para você. “Mas não muito. Só para parar de sangrar. Ainda não sabemos o que ocorre aqui.”

O clérigo aproxima-se de você e toca a sua fronte, com cuidado, para então começar a orar e, em alguns instantes, você se sente muito melhor. Enquanto observam o trabalho do clérigo, os soldados e o comandante têm um mínimo momento de distração e Ledland com um movimento rápido e fluido talha o pescoço de Stegor, que, assustado, gorgoleja sangue, para então empurrar com os ombros um soldado para o lado e disparar correndo do beco para a rua.

“Peguem-no!”, berra o comandante e cinco soldados partem em perseguição. “Não deixem o maldito fugir! Não...”

“Comandante! Ele está envenenado também!”

“O que diabos?”, xinga o comandante.

O veneno faz seu trabalho e você começa a ter espasmos e sua consciência se esvai.

Onde você irá acordar?

-- Numa cama das tendas hospitalares, limpo e, com sorte, tratado por uma enfermeira bonita.

-- Numa cela cheirando a mijo e mofo no Forte de Ferro, alegre por ainda estar vivo.

-- Acordar? Quem disse que você acordará? Você está é morto!

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Abraços!


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